Palavra de especialista
Pé Torto Congênito tem solução Publicado: 12 Setembro 2012 | Última Atualização: 06 Outubro 2018

Método Ponseti é referência para a correção do PTC em centro de atendimento 

As botas ortopédicas infantis já estão aposentadas há mais de 20 anos, naquela época era muito comum encontrar crianças usando esse tipo de calçado. Mas o que mais chama atenção é que depois de tantas décadas, o Pé Torto ainda faz parte da vida de muitos pequenos.  O Pé Torto Congênito (PTC) é uma deformidade congênita de baixa ocorrência (um para cada mil nascidos), complexa, que envolve músculos, ossos, tendões e vasos sanguíneos.

As crianças que possuem essa deformidade nascem com os pés para dentro e rodados para cima, assumindo assim, a posição chamada equino-varo-aduto. As causas dessa deformidade podem ser idiopáticas, sem motivo diagnosticado, ou sindrômicas. Dentro desse perfil menos de 5% das crianças nascidas com PTC têm pés irredutíveis, encurtados e graves com ligamentos rígidos, que não cedem ao alongamento, onde o único recurso é a correção cirúrgica ampla. Os outros 95% respondem bem a um tratamento menos invasivo baseado em manipulações e gessos seriados.

O método Ponseti, que foi desenvolvido há mais de 50 anos na Universidade de Iowa nos EUA, é baseado na anatomia, biomecânica e elasticidade dos ligamentos e tendões do pé do bebê e é hoje considerado como “golden standart” para o tratamento do pé torto congênito. “Dr. Ponseti desenvolveu uma técnica de manipulações suaves seguidas da aplicação de aparelhos gessados que vão do pé à virilha mantendo os joelhos em flexão, que gradualmente propicia a remodelação dos ossos do pé da criança na posição de correção, de uma forma fisiológica”, explica a Dra. Laura.

Estudos de casos de pés tratados pelo método Ponseti demonstram em longo prazo que estas crianças não apresentam dificuldades para praticar esportes e ter uma atividade física regular, podendo levar uma vida sem restrições físicas. Segundo um estudo fármaco econômico realizado no próprio Hospital Universitário, além dos benefícios do método Ponseti para o paciente, seu custo é 6 (seis) vezes menor do que a intervenção cirúrgica convencional.

Conforme a especialista Dra. Laura, o pé torto congênito pode ser rastreado e identificado desde a gestação, pelo exame ultrassom morfológico “Quando a existência da deformidade é constatada durante a gravidez, os pais recebem informações sobre o problema e ficam preparados psicologicamente para lidar com a situação, recorrendo ao tratamento logo na fase inicial o que facilita a correção dos pés” esclarece a profissional.

Após os gessos a criança ou o bebê utiliza sapatos colocados em uma posição especifica, unidos por uma barra, chamado Brace de Abdução dos Pés (BAP).  Segundo a especialista é importante ressaltar que a eficácia do tratamento Ponseti também depende da disciplina dos pais na utilização do BAP na fase pós gesso do tratamento.

O Hospital Universitário da USP, localizado na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo oferece o tratamento Ponseti gratuitamente às famílias carentes da região com a ocorrência do Pé Torto Congênito, mediante a carta de encaminhamento feita pelo médico do Posto de Saúde confirmando o diagnóstico. Além de tratar da deformidade da criança, a equipe cuida da sua estrutura familiar dando-lhe condições de acompanhar plenamente todo o processo até o seu término.