Palavra de especialista
12 de junho: dia de cuidar dos corações das crianças Publicado: 11 Junho 2019 | Última Atualização: 12 Junho 2019

Elas ainda poderão amar muito na vida e comemorar inúmeros Dia dos Namorados, se tiverem o diagnóstico precoce da cardiopatia congênita.

O InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) comemora neste dia 12 de junho, às 10h, o Dia da Cardiopatia Congênita, com um show dos Doutores da Alegria, para seus pacientes e familiares, no anfiteatro do hospital. O momento será de celebrar a vida e de lembrar a sociedade da importância do diagnóstico precoce da doença cardíaca congênita, para que mais crianças possam ter direito a um futuro com saúde e bem-estar.

No Brasil, cerca de 29 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano (1% do total). Aproximadamente 12.500 delas morrerão antes de completarem o 1º ano de vida e 23 mil, ao longo da primeira infância e adolescência, se não forem submetidas à cirurgia de correção dos defeitos anatômicos que acometem seus corações ou os grandes vasos associados ao órgão.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença é a 3ª maior causa de mortalidade neonatal no País.

“O diagnóstico precoce é a única saída para salvar essas crianças”, diz o Dr. Roberto Kalil Filho, presidente do InCor, que abrirá o evento para os pequenos pacientes do InCor, nesta quarta-feira.

SOMENTE 50% TÊM DIAGNÓSTICO

A estimativa é de que menos de 50% das cardiopatias congênitas sejam diagnosticadas no pré ou no pós-natal imediato. “Esse é um grande problema porque quanto mais cedo a malformação cardíaca for diagnosticada, melhores as chances de sua cura (seja com tratamento medicamentoso, cateterismo ou cirurgia), ou de convivência com o problema mantendo uma boa qualidade de vida”, esclarece o Dr. Kalil.

Antes do nascimento, o diagnóstico é realizado por um simples ecocardiograma fetal, exame que, infelizmente, ainda não faz parte do protocolo do SUS. Depois que o bebê nasce, o teste do coraçãozinho, exame não-invasivo feito entre 24 a 48 horas de vida, é eficiente para indicar a anomalia em 75% dos casos.

O teste do coraçãozinho é muito simples: realiza-se a medição do nível de oxigênio no sangue utilizando um oxímetro de pulso, em todo recém-nascido aparentemente saudável, com idade gestacional acima de 34 semanas, antes da alta hospitalar.

Feito esse diagnóstico, elas devem ser encaminhadas para tratamento especializado, em centros de referência em cardiologia pediátrica, aptos a tratar desde a cardiopatias mais simples até a mais complexas. No Instituto do Coração, o principal desses centros no País, são operadas 620 crianças por ano, vindas de todo o Brasil, em sua grande maioria beneficiadas pelo SUS.

O SUS conta com 69 serviços de cirurgia cardiovascular pediátrica em 20 estados e DF. “O número é aquém do que necessitamos para salvar as 23.000 crianças que precisam de cirurgia”, diz o Prof. Dr. Fabio Jatene, diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do InCor.

FATORES DE RISCO

São mais suscetíveis a nascerem com o problema bebês com retardo de crescimento intrauterino ou distúrbios do ritmo cardíaco, além de filhos de mães com lúpus, diabetes melitus ou que tiveram rubéola ou outras infecções demandantes do uso de medicamentos teratogênicos. O histórico familiar de malformação cardíaca congênita, pelo lado materno ou paterno, também é um fator de risco a ser considerado.

Em 20% dos casos, a regressão total da doença é espontânea. Nos outros 80%, a malformação pode variar desde problemas mais simples, como a valva aórtica bicúspide (o normal é ela ser tricúspide), que podem não precisar de cirurgia mas apenas de acompanhamento de cardiopediatra, até os mais complexos.

Entre estes, está a transposição das grandes artérias, malformação em que o paciente nasce com a aorta e a artéria pulmonar emergindo de ventrículos opostos. O problema gera uma mudança completa na circulação sanguínea, com impactos importantes na oxigenação do sangue.