Palavra de especialista
Medidas que podem salvar prematuros Publicado: 13 Novembro 2019 | Última Atualização: 21 Novembro 2019

Cooperativa realizou parto inédito de quíntuplos prematuros em Vitória e ressalta importância de aliar tecnologia e cuidado humano

São Paulo, novembro de 2019 – Dados de um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) junto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostram que, todos os anos, cerca de 30 milhões de bebês nascem prematuros, com baixo peso ou adoecem nos primeiros dias de vida no mundo. Para celebrar a luta dessas crianças e famílias, no dia 17 de novembro é celebrado o Dia Mundial da Prematuridade. A data tem como objetivo incentivar ações que reduzam a incidência deste tipo de parto, bem como as possíveis complicações às quais os recém-nascidos que nascem antes do tempo estão sujeitos.

“Diversos fatores podem influenciar para que um parto ocorra antes do tempo certo, desde comprometimentos na saúde da mãe, até intercorrências durante a gestação”, afirma o obstetra Márcio de Oliveira Almeida. “Obesidade, gestação múltipla e anomalias genéticas figuram entre as causas mais comuns”, reforça o especialista. O levantamento da OMS e UNICEF mostra que 2,5 milhões de recém-nascidos morreram antes de completarem um mês de vida, em 2017. Desse total, 65% eram prematuros.

Além disso, até 2030, quase 68% das mortes de recém-nascidos poderiam ser evitadas com a adoção de soluções simples, como atendimento hospitalar, amamentação exclusiva e instalações de saúde limpas e bem equipadas. “Cientes disso, temos investido em equipamentos, estrutura hospitalar, e no capital humano, que faz tanta diferença para casos como esse, já que o Brasil possui uma das maiores taxas de prematuridade no mundo, com mais de 300 mil bebês nascendo nessa condição, anualmente”, reforça Dr. Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed.

O tratamento dos prematuros tem evoluído muito nos últimos anos e as taxas de sobrevida têm aumentado. O doutor Márcio ressalta que, uma vez nascidos, os cuidados com esses bebês devem começar ainda na sala de parto. “É o primeiro lugar onde prestamos assistência a esse recém-nascido, assegurando uma via aérea desobstruída e proteção neurológica ou cardiológica. Depois ele recebe uma avaliação mais detalhada e os cuidados intensivos na UTI Neonatal. Possuir equipamentos modernos e uma equipe treinada para este tipo de parto é fundamental nestes casos”, conclui o obstetra. Medicamentos atuais, incubadoras de última geração, higiene, monitores e ventiladores são essenciais para a manutenção da vida desses bebês.

Em junho deste ano, a Maternidade Unimed Vitória realizou um parto de quíntuplos. Considerado um procedimento inédito e raro, contou com a participação de uma equipe multidisciplinar, formada por 36 profissionais. “Esse foi o meu primeiro parto de quíntuplos. Foi uma gravidez com indução hormonal para ovular, sendo que três fetos foram independentes e duas meninas se desenvolveram em uma placenta única. As duas nasceram com peso abaixo de 500 gramas, ou seja, eram prematuras extremas. O maior nasceu com 1,060 Kg. Temos que entender que estamos falando de cinco prematuros e dispor de uma estrutura hospitalar robusta e uma equipe multidisciplinar qualificada foi fundamental para que todos sobrevivessem”, conta o obstetra e coordenador da equipe médica mobilizada no parto.

Para realizar a cirurgia, a equipe chegou a fazer um “ensaio” e testes para saber como agiriam durante a operação. Foram utilizadas três salas de cirurgia durante o parto. “Vale ressaltar que não só a tecnologia salva a vida de prematuros. Ter uma equipe qualificada à disposição de qualquer emergência pode ser a diferença entre a vida e morte”, completa Ruschi.

Para Marina Mazzelli, mãe dos quíntuplos de Vitória (ES), o diferencial humano foi tão importante quanto o tecnológico. “Desde o momento que descobrimos a gestação de múltiplos, já tínhamos noção de que eles nasceriam antes do tempo. Quando os vi pela primeira vez na UTI neonatal fiquei muito apreensiva pelos dias que estavam por vir. Foram quatro meses de internação, os mais longos e intensos da minha vida, mas procuro sempre ver o lado bom de todas as situações. O lado bom foi a amizade que criei com os profissionais que ali trabalham. As médicas que salvaram as vidas dos meus filhos são muito humanas, elas lutaram por cada um deles com muita competência e amor pelo que fazem. As enfermeiras e as técnicas me ensinaram a cuidar deles e o resultado de toda dedicação da equipe da Maternidade Unimed Vitória são os meus cinco filhos em casa”, completa Mariana.