Palavra de especialista
Nem mimo, nem intolerância na hora de estimular a fala Publicado: 16 Outubro 2020 | Última Atualização: 16 Outubro 2020

Nove dicas para ajudar no desenvolvimento natural da verbalização dos seus filhos

É muito comum que os pais, em algum momento da criação dos filhos, especialmente quando ainda são bebês, se perguntem sobre qual seria a melhor forma de ajudá-los a falar.

A fonoaudióloga Juliana Trentini, do Canal Fala Fono , autora do livro “Aprendendo a Falar”, criadora do curso Fala Bebê e profissional dedicada ao desenvolvimento da fala, aquisição da linguagem e intervenção precoce, explica que o estímulo está nas sutilezas e no caminho do meio entre o mimo e a autoridade. “Eu sou mãe e sei que não é fácil educar com amor, carinho e respeito, e, ao mesmo tempo, dar espaço e suportar as tristezas dos filhos acolhendo e não calando a expressão de frustração deles.
Mas é preciso compreender que infantilizar pode estar no ato de superproteger e também na tirania do adulto. Ser implacável ou perfeccionista é também uma forma de não deixar os filhos crescerem. Na verdade, nossas crianças precisam de alguém em quem se espelhar, e não de alguém igualmente infantil para seguir ou de perfeição inatingível, porque quando fazemos isso, eles se sentem perdidos, em mar aberto, como se não houvesse uma margem para guiá-los. Equilíbrio, tranquilidade, espaço, liderança, respeito, comunicação, consideração, empatia e paciência não são uma receita pronta, mas são ingredientes que não podem faltar em uma educação sensata”, pontua.

Abaixo, Juliana sugere 9 dicas sobre como não mimar demais e nem ser rígido em excesso para estimular a fala das crianças:
1. Quando o adulto fala pela criança ou traduz tudo que ela fala o tempo todo sem dar a chance dela se expressar, a criança perde seu lugar de fala;
2. Se o adulto advinha tudo que a criança quer e precisa antes que ela tenha a chance de se comunicar, ela perde a oportunidade de se expressar;
3. Quando a criança chora ou se frustra, é importante que não seja imediatamente silenciada ou sempre atendida, pois assim, ela perde a oportunidade de lidar com os sentimentos usando da linguagem e a expressão;
4. Se a criança é infantilizada, tratada e mantida em uma posição social de bebê, só lhe resta atender a esta expectativa (bebês não falam);
5. Se a criança não tem espaço psicológico para ser ela, para ter sua individualidade, como ela vai falar, uma vez que toda fala parte de alguém e ela não se sente indivíduo separado dos seus pais, especialmente da mãe?
6. Se o bebê é cobrado, com frases como “Fala água ou vai ficar com sede”, ou corrigido como em “Não é ábua, é água”, ele se sente desmotivado a falar;
7. Se o bebê for interrompido – pior ainda se for para ser corrigido -, ele pode não continuar tentando elaborar palavras, pensamentos e frases;
8. Punição não motiva a criança a falar apenas reforça a crença de que ela é incapaz e de que não é aceita.
9. Se não compreender algo, não diga “O que?”, “Hã?” etc. Repita o que a criança disse e pergunte: O que é isso? Onde está? Pode me mostrar?Aprender a falar é muito difícil. Quanto mais nós nos esforçamos para entender mais a criança vai se esforçar para falar. Ser compreendido é uma necessidade humana. Nós já passamos por isso e não lembramos, e por isso cobramos essa rapidez de nossas crianças. Mas lembre-se: a fala se constrói no diálogo seja um parceiro do seu filho!