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Bruxismo e DTM podem ser comuns na infância PDF Imprimir E-mail

Especialista alerta sobre a dificuldade de diagnóstico, sinais e sintomas da patologia

Ouvir o filho ranger os dentes enquanto ele está dormindo. Essa pode ser a principal característica do bruxismo do sono, que tem se tornado uma condição cada vez mais percebida em crianças. "Ele é, inclusive, mais incidente em crianças do que em adultos, mas tende a diminuir com a idade. Estudos mostram que quanto mais a criança cresce, menor a incidência do problema. Tanto que, em muitas pesquisas, o maior número de casos pode ser identificado entre cinco e nove anos de idade", explica Dra. Adriana Lira Ortega, Doutora em Odontopediatria e membro da Sociedade Brasileira em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF).

Além do ranger noturno, existe um outro tipo de bruxismo bastante recorrente que ocorre com o paciente acordado. Nesse caso, o fato de pressionar, apertar ou apenas encostar os dentes, podem indicar bruxismo em vigília. "O bruxismo, inclusive nas crianças, também pode ser classificado em primário e secundário. No primeiro caso, a patologia se origina de forma idiopática, ou seja, não se sabe a causa. Já o secundário, tem relação com algum fator ambiental, como por exemplo, alterações respiratórias ou uso de medicamentos", detalha Ortega.

A relação entre bruxismo e DTM

Outro ponto importante sobre o bruxismo é a sua relação com a disfunção temporomandibular, conhecida popularmente como DTM. Os quadros de DTM podem causar dor orofacial, som articular ou limitação dos movimentos da mandíbula . Segundo a odontopediatra, essa relação é controversa e depende, principalmente, do tipo de bruxismo analisado. "O tipo de bruxismo que mais parece se relacionar com a DTM é o que ocorre em vigília. Isso porquê o apertar ou encostar dos dentes pode se tornar danoso para as fibras musculares, desencadeando a DTM do tipo muscular", explica.

Ainda assim, a disfunção temporomandibular tem incidência muito menor em crianças do que o bruxismo do sono mas seu diagnóstico é mais difícil do que este último, já que, geralmente, a criança não consegue verbalizar adequadamente dores, estalos e outros sintomas associados a DTM, conforme alerta a especialista. "Nesses casos, quando a criança não sabe relatar dor, os pais podem perceber uma certa relutância para consumir certos tipos de alimentos, mais duros. A impressão que se tem é que a criança tem preguiça de mastigar. Mas, na verdade, esse movimento incomoda, gerando sensibilidade."

Tanto no caso do bruxismo quanto na DTM é imprescindível que a criança seja acompanhada por um odontopediatra, de preferência que tenha capacitação na área de DTM e dor Orofacial. "Garantir uma boa rotina de sono, evitar telas, ter respiração adequada pode contribuir para o controle do bruxismo do sono. No bruxismo da vigília, é necessário um trabalho de conscientização para que a criança evite a contração muscular desnecessária. Já no caso das DTM, é necessário evitar hábitos parafuncionais (roer unhas, apertar os dentes ou os lábios), uma vez que estes podem contribuir para a prevenção do bruxismo e da DTM", finaliza Dra. Adriana.