Palavra de especialista
Dia Mundial do Brincar destaca a importância do tempo livre e do faz-de-conta na infância |

Especialista explica que brincar contribui para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças; e não deve ser tratado apenas como entretenimento


Em um cotidiano marcado pelo excesso de telas, estímulos e agendas cheias, o Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, convida famílias, escolas e sociedade a refletirem sobre a importância do brincar na infância e sobre o direito das crianças ao tempo livre, à convivência e à imaginação.

Para a psicopedagoga, escritora infantojuvenil e arteterapeuta Paula Furtado, as brincadeiras são importantes para a formação integral da criança e não representam apenas diversão, mas sim uma necessidade do desenvolvimento infantil.

Ela reforça que o brincar favorece a empatia, o raciocínio, a imaginação e a capacidade de enfrentar desafios, além de fortalecer vínculos e estimular a autonomia. “Brincar é a linguagem da infância. É brincando que a criança experimenta o mundo, resolve conflitos, elabora sentimentos e constrói conhecimento. No faz-de-conta, ela compreende a realidade e cria novas possibilidades”, explica Paula.

Paula ainda destaca que o cenário atual impõe desafios importantes à infância. O excesso de telas, a pressa cotidiana, a pressão por desempenho e a falta de escuta emocional podem comprometer experiências fundamentais para o crescimento saudável das crianças.

“O equilíbrio começa pelo exemplo dos adultos e pela criação de oportunidades de convivência e lazer fora das telas. Trocar tempo de tela por tempo de vínculo faz diferença no amadurecimento e nas relações familiares”, orienta.

O valor da presença familiar

Mais do que oferecer brinquedos, Paula ressalta que pais e responsáveis precisam oferecer presença, escuta e acolhimento. Participar das brincadeiras livres e criativas, respeitar o ritmo da criança e permitir momentos de espontaneidade ajudam a preservar a curiosidade e a criatividade. A especialista lembra que brincar também pode auxiliar crianças a lidarem com emoções difíceis, como medo, ansiedade e perdas. “No lúdico, a criança também processa emoções, recria situações e transforma aquilo que assusta em algo compreensível”, afirma.

Além do ambiente familiar, Paula defende que escolas e comunidades ampliem iniciativas que valorizem o brincar, como rodas de brincadeiras, oficinas, espaços de convivência e atividades lúdicas integradas ao cotidiano escolar.

“O brincar precisa ser entendido como um direito essencial da infância e um compromisso coletivo. Preservar esse tempo é também cuidar da saúde emocional e do desenvolvimento das crianças”, conclui.

 

 

@paulafurtadopf

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância. A especialista em educação exerceu a função de coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com Girassol Brasil e MSP Estúdios.