Palavra de especialista
Alunos da Família, Filhos da Escola Publicado: 08 Dezembro 2017 | Última Atualização: 24 Setembro 2018

A importância da relação entre a família e a escola para a boa formação do filho e aluno

O professor Rabino Samy Pinto explica porque se deve prezar pela parceria entre as duas instituições

Não é raro encontrar graves conflitos na relação entre professores e pais. Quando se observa mais de perto, ambos os lados estão quase sempre insatisfeitos com tudo que envolve a educação do aluno. Por um lado, os educadores reclamam do comportamento dos estudantes em sala de aula para os responsáveis, que por sua vez respondem que os filhos não estão tendo um acompanhamento profissional de qualidade. Neste cenário, o que se pode fazer para melhorar a parceria que deveria existir entre as duas instituições?

Especialista em educação e ex-diretor de escola, o professor Rabino Samy Pinto, fala sobre a importância de refletir sobre o tema alunos da família, filhos da escola. “O objetivo da família ao questionar a qualidade dos professores e da didática deles é tornar seus filhos bons alunos. Já a escola, ao falar do comportamento inadequado dos estudantes, fazê-los bons filhos. A busca pelo respeito da função social desses agentes deve ganhar atenção. Sem respeito não há diálogo, sem respeito não se produz admiração. O respeito é imperativo, principalmente neste caso”, comenta o educador.

O CENÁRIO ATUAL DA PARCERIA ESCOLA E FAMÍLIA

Uma pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que no Brasil os professores perdem cerca de 20% da aula para colocar a classe em ordem. Essa dificuldade em acalmar os alunos é uma luta que o educador enfrenta diariamente, de acordo com o Rabino Samy Pinto, o mestre não pode se ater apenas em ensinar, mas também em educar. “A escola se tornou a verdadeira responsável pela escolarização, mas não dá para falar para um professor só ensinar. Porque não existe instrução sem educação. Logo a instituição também precisa de pessoas preparadas tanto para passar o conhecimento quanto para educar”, explica.

Mas professores e diretores não devem enfrentar essa luta sozinhos, os pais também devem estar presentes na escolarização de seus filhos. Outra pesquisa realizada em 2014 pelo movimento Todos Pela Educação mostra que apenas cerca de 12% dos responsáveis são comprometidos com a vida escolar de suas crianças.

“Os pais devem educar seus descendentes de A à Z, seja no sentido comportamental até na escolarização. As famílias não podem deixar de lados essas questões. Terão que fazer esforços para, além de educar, cuidar do ensino. Mesmo que as matérias fiquem mais complexas no Ensino Médio, eles poderão ajudar os filhos no sentido de organização de material, da criação de um espaço para estudo, da disciplina para aproveitamento dos estudos. Além de ajudar a administrar melhor a agenda pessoal e escolar”, comenta o Rabino Samy Pinto.

É PRECISO ENTENDER O CENTRO DA QUESTÃO: O FILHO E O ALUNO

O educador ainda destaca que é importante os pais e professores entenderem que a criança, mesmo o adolescente, ao ser inserido em um ambiente coletivo, como a escola, pode ter um comportamento diferente de quando está sozinho. “Os pais devem compreender que se o filho não tem uma atitude, talvez o aluno tenha, já que está inserido em um grupo social que o influencia. E essa diferença deve ser encarada como normal. Assim como a escola precisa saber conviver com essa dupla identidade que as crianças têm na sociedade”, explica Samy.

QUAIS SÃO AS PERGUNTAS QUE PAIS E PROFESSORES DEVEM FAZER JUNTOS?

Para o rabino, tanto os pais quantos as escolas devem trocar as perguntas “o que será do meu filho?” ou “o que será do meu aluno?”. “No Talmud, a pergunta é sempre “o que será do povo de Israel?”, “Como meu filho contribuirá para o povo de Israel?” e “Como o meu aluno contribuirá para o povo de Israel?”.  Assim os questionamentos vão se tornando maiores e com maiores significados, “Como será minha sociedade?” “Como minha escola está contribuindo para a sociedade?” “O que o meu aluno produzirá para a ajudar a desenvolver o Brasil?” “O que o meu filho poderá fazer com seus amigos para ajudar a melhorar cada vez mais a cidade onde ele mora?””, completa o educador

Ao fazer estas perguntas, sempre com este pensamento, será possível entender a importância de cada aluno e filho, de cada família e de cada escola dentro da sociedade.