Palavra de especialista
Crianças e tecnologia: qual o limite? Publicado: 20 Maio 2018 | Última Atualização: 29 Outubro 2018

Por Doutor123 em colaboração com Silvana Elisabete Moreira*

Há dez anos, a infância era sinônimo de brincadeiras como queimada, esconde-esconde, corda, amarelinha e ciranda. Hoje em dia, as tradicionais brincadeiras cederam espaço à tecnologia, e é cada vez mais comum encontrar crianças utilizando celulares e tablets ao invés dos brinquedos habituais. Mas será que essa exposição precoce pode gerar danos futuros?

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A tecnologia pode ter um impacto muito positivo para a garotada, principalmente no aprendizado, se utilizada de forma adequada e sem excessos. Afinal, na internet é possível aprender um pouco de tudo, desde letras e números até um novo idioma, com aplicativos específicos para cada assunto e direcionado às diversas faixas etárias. Porém, os pequenos podem ter acesso a conteúdos impróprios, como vídeos e fotos que contenham algum tipo de violência. Sendo assim, além de controlar a permanência, os pais também devem ficar atentos ao que é consumido.
O tempo ideal de interação com aparelhos eletrônicos varia de acordo com cada família e seus hábitos, mas deve ser definido observando o comportamento da criança. Um dos primeiros sintomas facilmente identificável é a perda de convívio social. O contato excessivo com a tecnologia pode ter sérias consequências, como não saber trabalhar em equipe, devido ao isolamento social causado pelo uso de celulares. Além disso, existem problemas ligados ao aparelho locomotor, pois a criançada passa a maior parte do tempo sentada, justamente na época que seus corpos deveriam estar se desenvolvendo.

Não deixe de lado as brincadeiras clássicas
Existem vários motivos pelos quais todos os filhotes mamíferos brincam, pois é dessa forma que descobrem como se comportar no mundo adulto. Com os pequenos não é diferente, eles aprendem a utilizar todos as suas habilidades físicas e psíquicas nas brincadeiras e interações sociais presentes na infância. A imaturidade de uma criança que por diversos motivos – inclusive por insegurança dos pais –, é privada de convívio social é gritante, ela perde ou retarda a capacidade de perceber os jogos psíquicos que fazem parte da vida adulta, o que pode gerar inúmeras frustrações.

Ache o equilíbrio
Os pais devem priorizar o equilíbrio, sem proibição no uso de novas tecnologias e nem permitir que a infância seja roubada. Um truque poderoso é oferecer alternativas, como um fim de semana inesquecível, com brincadeiras ao ar livre, um piquenique no parque, um jogo de mímica em família, algo simples, mas que seja lembrado e que possa se tornar um hábito semanal ou mensal.
Para que a garotada respeite as decisões dos pais de forma mais fácil, é necessário que os mesmos deem o exemplo. Uma proibição ou rigor em excesso fica sem sentido se eles utilizarem celulares e outros aparelhos sem discriminação, inclusive durante as refeições.

 

*Silvana Elisabete Moreira (CRP 47499 – 2) é psicóloga cadastrada na plataforma on-line de serviços de saúde por preços acessíveis. doutor123.com.br/